No Templo de Tymora

Por alguns minutos os aventureiros contemplaram em silêncio e com olhos marejados o corpo de seu companheiro Dexx sem vida sobre a mesa. Dargar acariciava a face do seu amigo de infância enquanto as lágrimas corriam pelo seu rosto. Um silêncio avassalador tomava conta do ambiente e assim permaneceu por alguns minutos que mais pareciam horas para cada um dos aventureiros.

Apenas quando os sacerdotes de Tymora retiraram Dargar de perto de seu irmão, o consolando, é que os aventureiros foram retirando-se um a um daquele recinto, sem antes cada um dar o seu último adeus ao companheiro.

Durante aquele dia o templo se cobriu de luto, Galinndan em sinal de respeito decretou luto oficial aos seguidores de Tymora e todos concentraram seus esforços na organização do funeral de Dexx. Que foi sepultado junto aos sacerdotes de Tymora em local de honra e sob o som de uma harpa que entoava com tristeza canções que lembravam os feitos heroicos de todos aqueles que carregam na fé a sua mais poderosa arma para enfrentar as calamidades mundanas dos dias de hoje em Toril.

Os aventureiros passaram aquela noite no mosteiro do Templo, acolhidos por todos com muito respeito e bondade, No dia seguinte, ao se reunirem para o dejejum, os aventureiros seguiram a ideia de Ivhellius e concordaram em permanecer por alguns dias naquele local recuperando suas forças e espírito para seguirem em frente, pois o abatimento era visível em todos, mas principalmente em Dargar, que ao contrário do que era de costume, permanecia a maior parte do tempo em silêncio, nem mesmo as provocações de Gilhedon, que tentava a sua maneira ajudar Dargar, faziam o anão falar alguma palavra ou frase, ele apenas emitia grunhidos e um sorriso contido por perceber os esforços de seus companheiros em abrandar sua dor de alguma forma.

Ivhellius parecia ser o mais preocupado do grupo, demonstrava um semblante preocupado e dedicava horas e horas a ler as anotações de Curuvar, por vezes fechava o livro e seu olhar se perdia no vazio, como se sua mente tentasse compreender o que acabara de ler naquele livro.

Durante as noites, após a ceia com os sacerdotes, os aventureiros se reuniam em volta do braseiro e ouviam de Galinndan suas preocupações e sentimentos com o que ocorria no mundo naquele momento. Souberam através do velho clérigo que muitas cidades foram atacadas por exércitos que sempre contavam com ajuda de pelo menos um dragão. Inclusive Silverymonn, souberam eles, havia sido devastada a poucas noites atrás em um ataque fulminante durante a madrugada. Galinndan os contou que devido a estes ataques a maioria dos sacerdotes do Templo estavam em missão de ajuda e resgate aos feridos de inúmeras cidades e vilas da região.

E souberam ainda mais, e o que mais os impressionou, Curuvar havia confidenciado a Galinndan que havia previsto calamidades como estas que estavam acontecendo, e mais ainda, Curuvar havia dito que um grupo de homens de bem procuraria Galinndan e que estes seriam os “escolhidos”, mesmo que o próprio grupo ainda não tivesse consciência ou acreditasse na sua própria capacidade, Curuvar afirmara que nas mãos deles estaria o destino do mundo, e assim, pediu a Galinndan para os dar abrigo e guarda, quando estes batessem às portas do Templo trazendo com eles o seu bem mais precioso.

Galinndan revelou aos aventureiros que assim como Curuvar havia os visto em seus sonhos, os que querem o caos do mundo também sabiam da existência do grupo, e assim os enviaram em uma missão suicida. A viagem a Silverymonn nada mais era do que uma jornada para a morte.

Os aventureiros ficaram incrédulos com a possibilidade, porém ficaram completamente sem reação quando Galinndan os mostra um cartaz com seus rostos estampados sob o título de “Procurados”. Galinndan explica que cartazes como este foram espalhados por toda Silverymonn durante o ataque, e os invasores além de saquear a cidade, interrogavam moradores e faziam buscas pelo grupo de aventureiros, mostrando e espalhando estes pergaminhos pela cidade.

E mais perplexos ficaram os aventureiros, quando souberam o motivo pelo qual estavam sendo procurados. O assassinato do seu contratante, Lorde Remet de Waterdeep.

Galinndan acalma os aventureiros e diz que assim como Curuvar já deveria ter-lhes dito, eles fazem parte de algo muito maior do que podem imaginar, e que mesmo que eles não tivessem consciência disso, as forças do mau já sabiam de sua existência e já procuravam saber suas identidades para eliminá-los enquanto fosse cedo.

Os aventureiros ainda perplexos, não entendem como seria possível tamanha teoria da conspiração. Ivhellius questiona Galinndan sobre como suas identidades foram descobertas.

Galinndan explica ao grupo que muitas forças malignas se uniram em torno de um objetivo em comum, inclusive uma famosa bruxa, Agnes Gwyneth, que com sua magia negra poderia muito bem saber quem eram os “escolhidos”. E muito provavelmente, Lorde Remet, por sua ganancia e cede de poder tenha se aliado aos inimigos e usado esta história de tentativa de assassinato para tornar os aventureiros impopulares e perseguidos, dificultando assim a livre locomoção do grupo por terras vizinhas de Waterdeep.

Noite após noite, sempre em volta do braseiro, Galinndan trazia informações preciosas para o grupo, informações que os faziam entender cada vez mais o enredo das coisas que estavam acontecendo, mas principalmente, os fazia cada vez mais ter consciência da importância do grupo para o destino do mundo.

Galinndan falou sobre antigas profecias, sobre seitas e grupos, dentre eles o Culto do Dragão, que tinha no seu Mestre, Sammaster, e foi pelo início da história dele que Galinndan começou…

“Ninguém sabe exatamente onde Sammaster, chamado de Primeiro Profeta entre os membros de seu assim chamado Culto nasceu, ou sob que circunstâncias, e as identidades e disposições de seus pais também são um mistério. É sabido que Sammaster era apenas uma criança e que seus pais faleceram em circunstâncias desconhecidas quando ele era pouco mais que um bebê. A mitologia do Culto atribui a ele uma paternidade brilhante e variada, incluindo clamores de que seu pai era um nobre, um necromante, ou um pirata, e sua mãe era um demônio extraplanar sob disfarce, uma encarnação da deusa Sharess, uma escrava foragida, uma ninfa das florestas ou uma sacerdotisa de Mulhorand. A maioria dessas teorias é tida como bobagens absolutas pelos sábios de reputação, uma vez que as declarações de nobreza em um grau maior ou menor, assim como de que seus pais fossem piratas ou escravos foragidos são vagas o suficiente para serem irrastreáveis. Uma afirmação de que a linha familiar de Sammaster pode ser traçada ao nível de Myth Drannor parece igualmente enganosa. Tais declarações são mais provavelmente reflexões esperançosas de um cronista do Culto do que conclusões baseadas em evidências sólidas.
A data de nascimento de Sammaster está perdida, mas as melhores deduções de seu ano de nascimento se encontram próximas a 800 CV, o Ano do Punho Negro. Sembia é uma forte candidata à terra natal de Sammaster, uma vez que as ramificações mais anteriores e mais profundas se encontram lá, e o Culto do Dragão tem mantido quase uma presença ininterrupta desde sua fundação. Outras possibilidades para o lar de Sammaster são A Terra dos Vales ou o Norte. Sammaster foi ativo em ambas as regiões em períodos posteriores de sua vida, e poderia ter sido guiado por memórias da infância ou por familiaridade em sua juventude.
Pouco se sabe de Sammaster depois da morte de seus pais. É provável que tenha sido educado por parentes ou amigos de seus pais. Como é frequente no caso de órfãos, a vida do jovem garoto era menos que agradável. Entregues como garantia para algum tio-avô pouco atencioso ou coisas do tipo, muitos órfãos sofrem negligência, se não abuso completo até o tempo de puderem (ou forem forçados) a fazer seu próprio lugar no mundo; tal tratamento poderia explicar, embora sem desculpas, os comportamentos posteriores de Sammaster.”

Após uma breve descrição de quem foi Sammaster e suas raízes, Galinndan se deteve a dois importantes aliados do Culto nos dias de hoje, aliados que outrora já foram inimigos do Culto e isso demonstra toda a preocupação atual, pois deixa muito claro que o Culto ganhou muita força.

“A Igreja de Tiamat é pouco conhecida nas regiões ocidentais dos Reinos, e venera o Dragão cromático, uma divindade de poder menor de Unther, cujos fiéis começaram a se espalhar por toda Faerûn. Também conhecida como A Nêmese dos Deuses, A Dama Sombria, Rainha do Caos (um tanto quanto impróprio), A Rainha Imortal, Inimiga de Bahamut e a Avarenta, Tiamat é a lendária Rainha dos Dragões Malignos. Seus seguidores buscam derrubar todos os outros deuses, e para chegar a este fim tentam adquirir o máximo de riquezas e magias que possa acumular. A Igreja de Tiamat é forte em Unthalass e na maioria da região de Unther, e têm crescentes centros de poder em Sembia, Orla de Vilhon e Vaasa.”

“A Rede Negra dos Zhentarim é um não tão secreto grupo de aliados magos, sacerdotes, ladrões e beholders devotados ao projeto de dominar o comércio, e, através disto, adquirir poder por todas as Terras Centrais. Qualquer coisa que não possa ser controlada diretamente tem que ser ameaçada até a submissão ou danificada tanto que não possa ser considerada uma ameaça à Rede Negra. Os Zentharim são ativos em todas as Terras Centrais, mas atualmente eles têm três grandes bases de operação, o Forte Zhentil, a Cidadela do Corvo e o Forte Negro. As desagradáveis atividades da Rede Negra incluem comércio de venenos, droga ilícitas, armas e escravos, bem como subjugação, assassinatos, roubos, extorsão, chantagem, sequestros e tortura.”

Fonte: No Templo de Tymora – A Profecia das Sombras.