EPISÓDIO I – ANOITECEU NOVAMENTE

O Caminho de Volta pra Casa

Quando finalmente o grupo conseguiu sair da caverna carregando aquele baú estranho, decidiram encontrar um lugar para descansar antes de seguir seu caminho de volta. Eles encontram uma clareira pouco afastada da estrada e começam a se organizar para descansar.

Luth estava bastante machucado e teve dificuldades para achar uma posição confortável para se acomodar. Sasha se ofereceu para ajudar o irmão e conseguiu curá-lo um pouco com sua magia. Legrand se ofereceu para fazer guarda enquanto os demais descansavam e revezaria com Ohtli.

Enquanto estávamos nos preparando para descansar, fomos emboscados por um grupo de Goblins, distribuídos em todos os lados. Rapidamente o grupo se levantou e se posicionou para o combate. Legrand teve um pouco de dificuldade para entender o que estava ocorrendo, afinal emboscadas à noite dificultam pra quem não enxerga na escuridão. Ohtli com seus olhos de elfo rapidamente localizou o inimigo e partiu com passos longos e ligeiros para cima dele, alertando o grupo sobre a posição dos inimigos.

Sasha conseguiu colocar vários deles para dormir com sua magia, enquanto Legrand e Ohtli corriam pelo campo de batalha dificultando a movimentação dos inimigos. Luth usou sua magia congelante para acertar as criaturas que atacavam à distância e tentou inutilizar os arqueiros. Quando os arqueiros foram vencidos o grupo conseguiu se aproximar mais e finalmente deram cabo dos que faltavam, restando apenas o líder deles e aqueles que haviam dormido com a magia de Sasha.

Legrand conseguiu derrotar o líder deles e Ohtli finalizou os que estavam dormindo e manteve um vivo para tentarmos obter informações. Trouxemos ele até perto do fogo e Sasha usou sua magia para sondar a mente da criatura e tentar obter algumas respostas. Quando Legrand acordou ele a criatura viu sua situação, tentou mentir dizendo que não sabia de nada, mas à medida que íamos perguntando, Sasha conseguia penetrar na mente dele. Conseguimos descobrir que eles tinham alguma espécie de acordo com o Drow da floresta e que roubavam pessoas e eventualmente levavam outra pessoas para serem escravizadas pelos Drow. Quando Ohtli ouviu isso ele se aproximou da criatura e, após dizer algumas palavras de julgamento executou ela a sangue frio.

Quando o combate finalmente terminou e o grupo conversou sobre o que aconteceu, decidiram retornar ao descanso. Ohtli parecia bastante incomodado com o sangue na roupa, mas ficou meditando sobre uma árvore. Os demais decidiram finalmente descansar, alternando entre turnos para se prevenir de outro ataque.

(…)

Durante a noite, Ohtli seguiu meditando e teve algum tipo de visão: Seu corpo começou a relaxar demais e seus olhos pesaram. Após alguns momentos seus olhos se abrem num sobressalto. Ele olha a floresta e enxerga uma névoa densa e que dificultava a visão. Um vento gelado soprava por entre as árvores, trazendo um mal presságio. Ele levanta e vai procurar seus companheiros, até começar a ouvir barulhos de cascos. Ele segue a direção do barulho e chega a uma clareira onde encontra seus companheiros em tese dormindo. Ele olha seus companheiros e percebe que estão todos dilacerados e aos pedaços, onde aquele cheiro de sangue adentrou suas narinas e o deixou zonzo. Ele olha para Legrand e vê seu pescoço virado para trás e com seus membros arrancados.

Seguindo o barulho de cascos ele corre em meio a névoa da floresta. Quando ele adentra a escuridão, ele enxerga a silhueta de três criaturas estranhas. Ele corre tentando se esconder delas em um enorme carvalho e, passado algum tempo ele sai de seu esconderijo e, por um momento, ele sentiu que os tinha despistado. Uma mão de repente toca seu ombro, e ao se virar ele vê uma mulher grávida ensanguentada vestindo apenas uma camisola chamando pelo seu nome. Quando ele deu por si, estava acordado novamente, todo suado, enquanto Sasha chamava seu nome.

(…)

Ao amanhecer, o grupo acordou cedo e Ohtli parecia estranho, ele ainda estava dormindo e Sasha foi acordá-lo. Era estranho para eles verem um elfo dormindo, conhecendo de sua habilidade de meditação, de toda sorte, assim que Sasha o despertou, ele pulou da árvore tão rápido como um gato, mas ao estar no chão vomitou na direção de Sasha. Ele contou ao grupo sobre sua visão e, depois de trocarem algumas palavras de conforto ao companheiro abalado.

Enquanto o grupo conversava Ohtli ouviu alguns barulhos de lamento misturados com batalha. Ele retomou seu fôlego e saiu em disparada. Legrand fez o mesmo e Luth recomendou a Sasha que fosse mais escondida. Ela não escutou seu conselho e foi em disparada atrás de Ohtli, enquanto Luth subiu em um terreno mais alto para observar o que ocorria. Parecia ser algum tipo de grupo Drow atacando uma pessoa. Ohtli partiu para cima dele com uma fúria admirável, apesar de eles serem bons combatentes.

Um dos Drow veio em direção à Legrand achando estar em vantagem, mas quando se aproximou, Legrand o partiu ao meio com sua glaive. Os Drow focaram seus ataques em Ohtli, mas habilmente o monge esquivava dos ataques dele. Sasha tentou insultar a criatura usando sua magia, mas parece que não fazia muito efeito. Luth usou sua magia e lançou um raio flamejante para tentar enfraquecer eles, mas parece que também não estava sendo tão efetivo atacar de longe usando magia em uma floresta fechada.

O Drow líder atacou Legrand de maneira poderosa, fazendo o paladino deitar diante do grupo, o que enfureceu Sasha e fez que ela corresse em direção ao Paladino e fechasse a frente de ataque da criatura contra o inimigo. Ohtli derrotou o Drow que estava cercando a criatura e assumiu posição de flanco acertando o Drow líder com um golpe poderoso pelas costas usando os pés.

Enquanto a criatura se recuperava do ataque só pude ver Legrand se apoiando na Glaive e se levantando envolto a uma luz divina e gritando por seu deus. Parece que o Drow não contava com a fé do paladino. Ele usou sua reserva de poder e seus ferimentos começaram a se fechar. Vendo que Legrand levantou, Sasha habilmente usou sua magia para fazer com que a espada do Drow ficasse incandescente, fazendo-o larga-la em frente aos demais, deixando-o desarmado. Luth usou sua magia de fogo para arrancar o escudo da mão da criatura e, aproveitando a abertura da guarda dela, Legrand deu o golpe final que colocou o líder dos Drow de joelhos e partido ao meio.

(…)

Quando combate acabou, Luth e Sasha perceberam que a pessoa deitada que estava sendo atacada lhes era familiar. Era Lenavarba Rones, um velho frequentador da taverna dos pais dos gêmeos. Quando Sasha viu isso, correu até o corpo do velho e usou sua magia para curá-lo.

Quando o velho recobrou a consciência, ele olhou para o rosto de Luth e pareceu feliz ao vê-lo. Ele entrega uma carta à Luth que era assinada por Kalyssa Faênya, mãe dos gêmeos, pedindo que Luth encontrasse logo Sasha e voltassem pra taverna com urgência. Luth disse aos outros que precisavam passar na taverna antes de qualquer coisa e todos assentiram. O velho disse ao grupo que estava ali procurando eles junto com Fafnir, o que deixou Luth um pouco mais aliviado. Apesar de Luth lembrar que Fafnir disse que ia até encontro eterno falar com os elfos, parecia que os planos tinham mudado. Ele disse que vieram com uma embarcação atracada na vila de Águas Fundas e que ela só teria permissão para ficar ali por mais alguns dias, conforme o papel que o velho lhes entregou. Precisaríamos pegar a embarcação e voltar pra casa o quanto antes.

O grupo estava um tanto quanto consternado com o fato de Luth aceitar deixar o velho pra trás, mas ele disse que foi treinado pra esse tipo de situação, e fazia parte do juramento do Enclave que uns não deveriam ser um peso para os outros e que a missão era mais importante. Luth internamente confiava que Fafnir voltaria logo e daria conta do velho, que desfalecia devido ao veneno dos Drow. Com sorte daria tempo de salvá-lo.

(…)

O grupo seguiu em marcha forçada pela floresta seguindo a direção que Luth apontava. Os gêmeos pareciam bastante aflitos com tudo aquilo e não esperavam problemas em casa assim de repente. Apesar disso ignoraram as palavras e seguiram andando às pressas.

Ao chegarem no vilarejo de Águas Fundas, viram que a vila estava fortemente vigiada por guardas da organização Zentharim. Perguntamos pela embarcação e eles indicaram o velho porto. Ao chegarmos lá, encontramos o navio ancorado e um homem chamado Velkum, que se dizia o capitão. Ele inicialmente estranhou o fato de o velho não ter voltado, mas depois de alguma conversa aceitou nos levar para casa e o navio partiu em direção à Ponte do Arco.

(…)

Quando o barco estava em alto mar, depois de quase um dia de viagem, um enorme barco cortou nossa frente e disse que a carga precisaria ser revistada. Eram também guardas Zentharim. A revista foi autorizada e não tivemos nenhum problema.

Quando nos deixaram passar, decidimos ir para uma cabine do lado de baixo olhar o conteúdo do baú durante a viagem. Dentro do baú havia um par de sandálias, um bastão, um escudo e um bandolim. Luth usou seu treinamento na Biblioteca de Sevras para analisar os itens usando sua magia. As sandálias pareciam ter um poder mágico capaz de dar ao seu portador a habilidade de andar sobre qualquer superfície sem cair. Isso seria mais útil para Ohtli e sua capacidade de se mover rapidamente. O Bandolim parecia ter alguma capacidade de conjurar magias por ele se fosse tocado da maneira correta. Ele ficou com Sasha, afinal era a única que sabia tocar algum instrumento. O escudo parecia ter algumas habilidades mágicas que ajudava na proteção de quem combatia corpo a corpo, se usado corretamente. Ele ficou com Legrand, afinal ninguém melhor para manejar algo daquele tamanho. Finalmente, o bastão pareceu interessar muito ao jovem mago. Luth percebeu que se tratava de um bastão muito poderoso, além até de suas habilidades. Ele precisaria gastar algum tempo com isso se realmente queria entende-lo e extrair dele poder, mas por hora ele parecia auxiliar na proteção contra efeitos e ataques, o que já seria de grande ajuda. Luth escreveu um pergaminho para cada um deles, descrevendo o que deveriam fazer para extrair o melhor das habilidades de cada item e o grupo passou o resto da viagem focado nisso.

Quando finalmente chegaram até Ponte do Arco, encontraram a cidade sob ataque de guardas Zentharim. Aquilo enfureceu os gêmeos ao verem sua terra natal sendo atacada e eles partiram para cima dos inimigos e, depois de uma luta emocionante contra os guardas inimigos, usando seus novos itens conseguiram sobrepujá-los. Ao se desvencilharem-se dos guardas, os gêmeos foram correndo em direção da cidade e procuraram pela taverna de seus pais.

Ao chegarem ao local, encontraram uma carnificina. O lugar que outrora trouxe alegria e lindas memórias de sua infância jazia em sangue e carne morta por todos os lados, além de escombros e marcas de queimado.

Ambos correram para dentro seguidos pelos demais que ficaram do lado de fora. Ao chegar do lado de dentro, subiram pro andar de cima e encontraram a porta do quarto de seus pais aberta. A cena que lhes esperava era algo que não sairia de suas mentes tão cedo. Deitada sobre a cama dos pais jazia o corpo morto e ensanguentado de sua mãe.

Sasha correu em direção ao corpo e começou a usar todo seu poder tentando curá-la, enquanto Luth olhava descrente de longe vendo que já era tarde demais, e se culpava por ter trazido esses problemas até ela. Luth largou as coisas e caiu sobre seus joelhos chorando sobre o sangue da mãe que escorria da cama.

Sasha chorava desesperada vendo que nada que fizesse seria suficiente para corrigir o que já estava feito. A mãe deles estava morta diante de seus olhos, a taverna destruída e nenhum sinal de seu pai. Luth percebeu que sua mãe escondia algo que procurou proteger mesmo na morte, um pergaminho.

Luth abriu o pergaminho e o mesmo dizia:

(…)

“Minha querida,
Chegará o dia em que os homens movidos por sua ganância de ouro e poder, trarão para si a maior calamidade já vista nesta era de volta ao mundo.
Serão dias difíceis onde em desespero eles irão clamar para que as antigas alianças sejam honradas em nome dos verdadeiros Deuses.
Seres de outro mundo caminharão livremente por Faerûn trazendo dor, desespero e sangue para aqueles que se opuserem à sua vontade.
Os tolos gananciosos terão enfim sua merecida recompensa, quando escravizados, se arrependerem de seus desejos mundanos de outrora.
Neste tempo o segredo dos irmãos será revelado e o sacrifício sincero de um deles será a chave para que o Escolhido se revele renovando as esperanças do povo que clama por misericórdia. Falsos profetas tentarão tirar proveito da situação em benefício próprio, mas o herdeiro irá desmascará-los.
Quando chegar este dia, minha querida Kaly, você não poderá fugir ao seu destino e deverá ocupar o seu lugar de direito, como nossa líder, líder do nosso povo, da nossa Ordem, líder do Enclave da Esmeralda.
Você traz no seu sangue a linhagem do seu pai, nosso grande líder de outrora, assim como seus filhos também carregam esta herança.
Kaly, sua identidade foi mantida em sigilo como era o seu desejo, mas eu peço que ao primeiro sinal destes tempos apocalípticos que você venha de imediato ao meu encontro e assuma seu lugar de direito.
O grande conselho élfico espera que um dia o herdeiro se revele e assuma seu posto, e assim como eles espero ouvir logo sua doce voz: Anoiteceu Novamente.
Com carinho do seu avô, Curuvar Galanodel.
Silverymoon, 12 Flamerule 1471 C.V.”

Em um pequeno instante eles perceberam que estavam sozinhos nesse mundo, com um fardo sobre os ombros e muitas perguntas não respondidas.